O círculo é
uma figura geométrica muito importante. Sua forma lembra o Sol e a Lua, elementos naturais que despertaram o homem primitivo para a magia do universo. É importante e utilizado em todas as áreas do conhecimento tanto para cálculos, soluções estruturais como estéticas. Mas de onde vem o poder que lhe é investido? Talvez porque seja a única figura totalmente simétrica em relação a um número infinito de eixos de simetria. Sem dúvida uma forma perfeita.
Seja por associação aos planetas, pela perfeição da forma, desde
a Antiguidade várias civilizações adotavam o círculo como elemento simbólico e
ritualístico: muitos templos gregos eram circulares; Stonehenge,
o círculo mágico dos celtas ao sul da Inglaterra, também é.
Os nativos americanos têm seus kiwas circulares de pedra que representam o "Grande Espírito". São também as chamadas Rodas de Cura.
No Budismo Zen, o círculo representa a perfeição e a iluminação da mesma forma que as auréolas dos santos na mística cristã. O simbolismo chinês mostra o yin e yang dentro da totalidade do círculo: a dualidade contida na unicidade.
Os sistemas místicos representam frequentemente Deus como um círculo porque este não tem começo nem fim, nem direção, nem orientação. Por extensão representa o Universo, o Céu e todo o domínio espiritual. (Ao contrário do quadrado que representa o domínio material.) Para os alquimistas ele designa o material análogo ao sol.
Circulares também são os escudos em várias culturas, os "apanhadores de sonhos" dos índios norte americanos, e grande número de mandalas. A Astrologia também usa o círculo para situar os planetas e signos e para montar mapas astrais.
O círculo é o zero que assume o sentido maior de não existência. Tem o potencial do vir a ser. O ponto representa o número um, a unidade. No simbolismo sagrado, o despertar do Universo é representado por um círculo perfeito com o ponto no cento. É o início de tudo, raiz que parte do Nada.

Toda esta conceituação de círculo, todo o significado que ele tem na cultura humana, faz com que os magos e bruxos façam seus rituais dentro de círculos, sendo que em seus cerimoniais ele configura um espaço específico para montagem dos elementos ritualísticos, bem como assume a função de proteção. Além disso, o círculo estabelece um lugar simbólico separado do mundo material que favorece nosso encontro com o Sagrado. Desenhado em torno do mago, o protege e o afasta dos maus espíritos. Sua perfeição também permite que trabalhemos em um Tempo sem tempo e em Lugar sem lugar. Abaixo a figura mostra a bruxa traçando seu círculo de proteção ao fazer um ritual.
Para traçar o
círculo normalmente começamos pelo Norte, caminhando em direção ao Leste, ao
Sul, finalizando a Oeste, seja, no sentido horário. Na tradição wicca, por exempo, utilizam o Athame (punhal sagrado)
ou varinha mágica para marcação do círculo. Os magos e em algumas religiões é utilizado o carvão ou o giz. Feito o traçado, dentro dele são executados uma série
de procedimentos ritualísticos conforme o significado e objetivo de cada cerimônia.
Findo o ritual faz-se necessário “desmontar” o círculo criado. Normalmente isto
é feito no sentido inverso do traçado de montagem do círculo. Algumas tradições
também delimitam portais que permitem entrada e saída do círculo durante o
ritual sem, contudo, destruí-lo ou tirar sua força.
A radiestesia também usa o círculo em inúmeros instrumentos de forma. Para proteção, existe um instrumento que é constituído por nove círculos concêntricos.
A radiestesia também usa o círculo em inúmeros instrumentos de forma. Para proteção, existe um instrumento que é constituído por nove círculos concêntricos.
Diante de tudo isto, podemos compreender então, o simbolismo e o uso que o círculo assume nas diferentes culturas e nos diversos sistemas de crença. E a cada ritual, a cada intenção, mais ele se fortalece no seu sentido mágico.
E afinal das contas, vista de longe, a nossa Terra é o mais belo círculo.












